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21 maio 2019

Imagem: Arquivo



Chegou nosso capítulo final. Nosso ponto e vírgula não foi um tempo para encontrarmos novos amores, novas essências e recomeçar um novo capítulo. Foi um encerramento. Não sei se foi o dia que você foi romântico com outra entregando rosas e um pedido de namoro escrito com aliança ou se quando eu acordei e não senti sua falta.
Ou se foi quando você disse que eu te mandava mensagem e você não respondia. Não sei dizer ao certo, foi uma sucessão de fatores. Aquela velha frase “Você não conhece alguém quando está junto e sim quando separa” nunca fez tanto sentido na minha vida.
Você encerrou nossa história sem nem se preocupar com meus sentimentos. A minha visão sentada no chão do banheiro grunhindo de tanto chorar ainda está em minhas memórias ou daquela vez que tive que fazer uma lista de motivos pra sair da cama nunca sairão da minha mente. Mas eu me reconectei comigo mesma.
Eu não precisei de outra pessoa, não precisei apresentar ninguém aos meus pais e não precisei de você. Não precisei do seu dinheiro, da sua estabilidade ou das suas falsas palavras de um dia ficarmos juntos e nos casarmos. Eu nunca precisei de nada disso.
Eu me joguei nos estudos sobre bruxaria natural, exoterismo e astrologia. Me vi indo em um bar de faculdade para beber e dançar sem me preocupar com nada. Abordando sobre política sem nenhum problema e tendo pessoas pra me lembrarem o quanto sou incrível e inteligente.
Você não esteve lá quando meu mundo caiu por conta de um diagnóstico ou quando aquele que não deve ser nomeado reapareceu na minha vida. Você perdeu uma pessoa fraca e hoje sei que não alguém podado aos moldes de alguém que nunca me mereceu.
É aquele clichê “Azar de quem te perdeu, sorte de quem te encontrar agora: mais feliz, mais madura e mais forte” e também que um dia encontrarei alguém capaz de aguentar minha força de mulher forte e independente que você não suportou.
E por aqui, eu encerro nossa história para mim. Você já encerrou faz tempo, mas eu precisava  encerrar por mim mesma. Eu tirei a ilusão que eu tinha de você de dentro de mim.

20 setembro 2018


Existe um episódio em  Grey’s Anatomy onde a moça tem que olhar no espelho e falar “Eu sou uma viúva” para se aceitar e eu estou tendo que falar “eu estou solteira” para entender o que aconteceu comigo. Esse foi de longe o meu relacionamento mais maduro, o mais estável e o mais saudável, aquele que parecia um conto de fadas de quando você encontra seu amor aos 16. E era exatamente assim que eu em sentia: Em um conto da Disney, onde me caso com meu primeiro namorado sério.

Nós passamos por muita coisa junto, desde o meu afastamento do meu irmão, minha formatura no ensino médio, faculdade e até minhas crises de ansiedade. E eu também estava ali por ele, em suas formações, incentivando à estudar e até levando a gata ao veterinário junto, aquela mesma que eu chamava de “nossa” quando na verdade eu só via aos finais de semana.

Um relacionamento é como uma montanha russa, às vezes anda reto, vira de ponta cabeça, dá frio na barriga, medo... Mas no final é bom, e é isso que levo desse relacionamento por mais dolorido que esse final possa ser. Quando um relacionamento chega ao fim, sempre perguntam quem é o culpado mas a verdade é que na nossa relação não foi assim. Não houveram traições, não houveram brigas e na minha mente de criança Disney não havia sinais que estava próximo ao término.

Uma semana antes uma conversa franca sobre o futuro, sobre a necessidade de se pensar no casamento, casa própria e depois uma crise de sentimentos, medo e angústias que não puderam ser superados. Não é fácil ouvir que uma relação que parecia tão de boa estivesse desgastada e não é fácil contar no calendário que nossa última relação sexual tivesse sido quando tudo já estava estremecido. Mas acabou e é necessário superar.

E agora pra mim parece ser o momento mais difícil e também o mais doloroso: me reinserir na sociedade de forma a estar solteira e também ver que o mundo ao meu redor havia evoluído junto comigo e que agora eu não me encaixo em mais nenhum grupo. Nenhuma das minhas amigas estão vivendo esse momento comigo, afinal tenho as que já são mães, as que estão pra se casar e também as que namoram. Quando se namora por muito tempo o ciclo social de ambos se misturam, você não sabe mais de quem aquele fulano ou aquela cicrana era amiga na origem e quando se termina essas definições voltam a fazer parte.

Eu me sinto perdida, eu não sei por onde ir ou quem procurar pra tomar uma breja no final do expediente. Não culpo ninguém, eu sei que involuntariamente quando namoramos nossos amigos não viram tão primeiro plano assim e não culpo ninguém, mas eu estou perdida.

Eu me sinto sozinha, me pergunto se ir em um  rodízio sozinha e colocar uma série na Netflix enquanto como parece tão esquisito para alguém. Me disseram que devo me amar em primeiro lugar, mas eu já me amo. Não me culpo pelo fim do relacionamento, acredito que seja erro dos dois que levaram ao extremo de não estarmos mais juntos e sei que posso encontrar alguém que me ame por aí, não me sinto diminuída mas sim perdida.

É difícil se sentir sozinha mesmo com todo e qualquer tipo de carinho que suas amigas possam dar não será o suficiente. Minhas noites de sábado não serão mais recheadas com netflix ou “Fábrica de casamento” e uns agarramentos no sofá. Eu não terei mais uma companhia que aceite os roles mais doidos sem questionar, as mensagens de bom dia, bom almoço e boa noite. E confesso, essa parte tem sido muito difícil porque quando temos um costume por quase 7 anos, mudar assim dói e te deixa sem rumo.

Eu estou sem rumo, remando em busca de algo que não sei o que é nem pra onde é. Eu sei que não é culpa de ninguém eu me sentir tão sozinha e também sei que as pessoas estão se esforçando ao máximo para me deixarem feliz – um abraço e um beijo especial aos meus pais por isso.

A verdade é que tudo foi belo e não tenho do que reclamar do meu ex namorado (é muito estranho pensar e escrever essa palavra) e se um dia ele chegar a ler esse texto, saiba que eu sei que você foi o melhor de si pra mim e eu o melhor de mim pra você e que mesmo eu discordando de muita coisa, sei que foi o melhor e que no meu coração eu só estou levando os momentos bons e sei que essa separação foi dolorida para ambas as partes.

Meu único desejo é voltar a me sentir incluída em grupos de amigos e que eu refaça algum círculo de amizade.
Uma foto em meio às flores para meu renascimento pessoal


21 abril 2017


Se você chegou até aqui provavelmente tem duas opções: vieram aqui porque já conheciam o blog ou porque você está passando por isso. Se for a segunda opção sinto lhe contar, provavelmente você não encontrará nada que te acalme aqui, mas talvez você possa se sentir contemplado de dividir os mesmos sentimentos comigo.

Há três meses fui diagnosticada com ansiedade, a doença do século XXI. Depois de algum tempo fui obrigada a perceber que não era só isso, era uma luta diária entre estar empolgada e querer ficar na cama pensando na vida ou se sentir sufocada por ter muita coisa pra fazer e me despedaçar em choro sem motivo aparente. Foi então que veio mais um diagnóstico: depressão. Mas o que tem de tão demais em ter as duas coisas? Bom, isso é realmente complicado.

Minha pior crise de ansiedade foi na minha prova de direção (que eu passei!), onde eu sentia meu peito doer e uma falta de ar inacreditável. Depois disso vieram as noites mal dormidas por não conseguir desligar o cérebro e também a quantidade inimaginável de vezes em que me via pensando em várias coisas que nunca vão acontecer (assim espero) mas que me faziam chorar antes de dormir.

Depois surgiu as coisas legais que me aconteciam e eu não conseguia me animar, minha amigas foram as primeiras a perceber: Afinal, por incrível que pareça eu sempre fui a menina animada da galera. E então eu percebia que eu estava super a fim de fazer a coisa, ansiedade a mil mas meu corpo ficava ali estagnado e eu só conseguia pensar em coisas ruins.

Infelizmente eu não comecei a tomar a medicação, exige uma grana que infelizmente não tenho no momento, então tenho que me virar como eu posso. Faço o necessário pra me mover todos os dias da minha cama um mantra parecido com o do Derek Sherperd (quem assiste Grey's Anatomy pode me entender aqui) e pensar "Esta é uma bela manhã para fazer tudo que tenho vontade" e esse é meu pensamento todos os dias.

Não tive dificuldades em aceitar o que eu tenho, sei que é apenas um resultado de toda a zoação, machismo e muitas outras coisas que sofri da infância à adolescência pelas mais variadas pessoas. E todos os dias eu sei que vou melhorar, seja porque tiro algumas horas por dia pra ficar sem internet ou por fazer meditação guiada antes de dormir. Quem tem sabe que nunca vai estar 100% bom, as crises podem aparecer quando você menos espera e te fazer andar 8km sem sentir em um dia (acredite, o dia seguinte é péssimo). Não é fácil, mas esses primeiros meses me fizeram me conhecer melhor, ver meus limites e saber até onde devo ir. Não é fácil, eu sei e você que está lendo também sabe. Cada corpo e mente agem de um jeito, é impossível todos serem iguais, mas é a pura realidade. Tudo isso serve para que possamos nos conhecer e principalmente saber até onde aguentamos e no momento eu sei que aguento a maior pressão que tiver sem nenhum problema.

18 abril 2017


Um feminismo escancarado, talvez muito branco não sei pois reconheço que sou privilegiada em diversos sentidos, mas necessário de se assistir. 4 mulheres aprendendo a viver em um mundo só delas. Hannah, Jessa, Marnie e Shoshanna.
Eu quero agradecer, dizer um obrigada bem alto por todas as vezes que vocês me deixaram melhores, me fizeram ver que ok ter 20 e tantos anos e não ter "dado certo". Ok não viver o amor da sua vida, casar e ter filhos antes dos 30.
Quando o mundo estava de cabeça para baixo eu via vocês e tudo ficava bem, eu sabia que da minha maneira eu estava lutando para as coisas acontecerem,
Nessa série eu vi que a vida pode te deixar sem rumo e te levar à lugares inimagináveis, que nossos objetivos algumas vezes nos levam a caminhos longos e estradas erradas, mas que tudo bem temos que passar por isso mesmo.
Eu vi que tudo bem querer ser independente, mas que aceitar ajuda também faz parte. Aprendi com a Hannah que eu não preciso amar meu corpo, mas sim aceitá-lo e não odiá-lo e aprender a deixar isso bem claro. Com a Shosh aprendi que posso ser bem sucedida quando menos esperar. A Marnie me mostrou que cada um possui um talento e que às vezes é difícil aceitar e a Jessa, essa meu bem, essa me ensinou a ser autêntica e forte quando tudo resolver desabar em sua cabeça.
Vocês não foram perfeitas e algumas vezes tomaram atitudes que me faziam querer adentrar a tela do notebook e dar na cara de vocês. Mas foram essas atitudes que me mostraram o que é crescer, amadurecer e se tornar adulto. Um jogo de erros e acertos, de cara ou coroa que muitas vezes depende apenas da sorte.
Eu me vejo em cada uma, em cada atitude precipitada e também nas pensadas. Vocês me deram tchau nesse último domingo e tudo bem, o caminho precisa ser seguido, mas levarei comigo cada ensinamento mesmo que pareça que estava tudo errado.
Muito obrigada por me mostrarem que ok relacionamentos não darem certo e ok também não continuar uma amizade por ela ser tóxica mesmo amando muito aquela pessoa.
Eu me sinto uma criança, inexperiente e perdida no mundo, mas essa série, essas garotas me mostraram como é possível viver as piores coisas e superar sem me dar nenhuma resposta.
Obrigada por esses anos, obrigada por me acompanharem na faculdade. Acabou na televisão mas não apaga nenhum dos sentimentos que tive ao assistir a série. O roteiro não era grande coisa, mas era a Lena dirigindo toda a série e sendo atriz (ela interpretou a Hannah) e a história vale mais que qualquer coisa.
E mais uma vez, obrigada.

30 março 2017

Quem me acompanha nas redes sociais (se você ainda não me segue tem todos os links aqui do lado!) sabe que eu sou a louca da astrologia, mesmo sem nunca ter feito curso. Pensando nisso resolvi comentar de como eu me apaixonei por esse universo e porque isso aconteceu.

Mapa Astral. Signo Interceptado. Planeta Regente. Casas. Graus. É uma infinidade de termos que são necessários serem memorizados e consultados o tempo todo a cada vez que a lua, sol ou um planeta muda de direção (ou fica retrógrado né).

Quando eu tinha 8 anos descobri que meu signo era gêmeos e procurava as informações mais completas sobre isso, inclusive digitava no Google pra ver o que significava ter nascido no dia 6 de junho, se isso era ruim e etc. Eu não sabia nada de astrologia e fiquei sem entender até ano passado.

Agora, com 21 anos, me descobri ser apaixonada por esse universo e através dele tenho me conhecido cada vez mais. Sempre soube qual era o meu ponto fraco, mas nunca soube lidar muito bem com ele e a astrologia me fez enxergar como dominar, qual era a casa (veja esse post) que eu tenho que trabalhar melhor e também como os trânsitos do meu signo influenciam na minha vida. 

A astrologia é uma ciência exata e se você não acredita leia esse post aqui. Vou deixar um argumento pra vocês: Se a lua influencia a maré porque não iria influenciar nosso corpo que possui 80% de água? Pois é, para pra pensar que faz sentido.

Desde que descobri que astrologia não é só seu signo e sim um mapa astral completo eu passei a me entender e todas as vezes que arrisco o ascendente do meu amigo eu super acerto. A verdade é que eu me tornei a louca da astrologia e foi assim: desde criança. 

Quando um planeta está retrógrado e eu tenho ele em um signo de grande influência no meu mapa eu fico diferente, a astrologia consegue até explicar meus momentos de tristeza. Não foi algo onde eu busquei um escape da rotina, muito pelo contrário eu me interesso muito antes de virar modinha.

Para os curiosos: Sou de gêmeos com ascendente e lua em virgem, possuo Libra e Áries interceptados (por isso tenho dificuldade em lidar com as características desses signos).

E vocês, acreditam em astrologia?



12 março 2017


          Eu sou uma típica baixinha, praticamente uma das que mais defendem que não importa seu tamanho você deve usar tudo. Com meu 1,52cm de altura eu tento sempre buscar inspirações para meu corpo que é um bem específico: peitos pequenos, cintura marcada e um quadril extramente grande. 



Quando penso em comprar uma calça ou shorts é uma briga grande, vocês já repararam, apesar das altas falarem o contrário, o tamanho das pernas de uma calça? Com essa minha altura que citei acima e meu quadril, uso em torno de 42 na Riachuelo, 40 na Renner e 38 na C&A (por favor, bora padronizar essas medidas gente!) e caso a calça não seja no estilo cropped (que pra mim fica normal) eu retiro mais de 20cm de barra fácil.

E não estou exagerando, isso é uma realidade bem comum. Quanto mais larga a peça, maior a barra que terei que fazer. Outra coisa são os vestidos, em pessoas altas mega curto em mim ou fica curto num estilo 36 e não me entra (obviamente) ou então fica pra baixo do joelho quando a modelagem não é midi.

Esses dias no BuzzFeed Brasil, saiu uma reportagem sobre uma baixinha que ignorou todas as regras e usou saia longa e sapato baixo, listras na vertical, saia pantalona entre outras. A verdade é que normalmente sofremos muito pra usar uma calça skinny, já que como falei retirando 20cm de barra ela vira uma calça larga e lá vamos nós fazer mais ajustes.

Imagens retiradas de BuzzFeed



















A única vez que não tive que fazer mudanças em uma calça ela era cropped e ficou skinny longa (e sem a dobra virada ela fica grande, viu?). Não é fácil achar uma roupa pra baixinha, vestidos de festa longo então nem se fala, nessa minha formatura eu nem ligava pra beleza do calçado, se não tinha uns 10cm de salto nem pegava nele porque ele não poderia ser feito barra.

Vejo amigas com alguns centímetros a mais com facilidade de comprarem roupas e eu aqui, na sofrência total. Não é fácil ser baixinha, vocês podem perceber nos meus looks que eu sofro bastante e minhas combinações acabam sendo sempre as mesmas né.

Não é fácil ser baixinha, não é fácil ver as pessoas ditando milhares de regras sobre como você deve se vestir. Simplesmente, temos que ignorar e criar nossas próprias regras.

10 março 2017

Eu queria escrever um texto sobre minha formatura e nada saía. Eu enfim me tornar jornalista, a louca que escolheu uma das profissões mais perigosas. A verdade  é que eu nunca parei pra pensar sobre isso, confesso que pensando em como escrever eu me lembrei do post da Thayse do Brilho de Aluguel onde ela dizia que ela sempre soube soube que ia se tornar jornalista, foi a mesma coisa comigo.

Quando criança eu abria as revistas e fingia que lia algo e observava a quantidade que havia de palavras ali. Com o tempo eu fui colecionando as mais diversas revistas e lendo cada vez mais sobre assuntos que eu achava chato apenas por gostar de folhear uma revista ou mesmo um jornal.

O tempo foi passando e as minhas leituras aumentando, o dinheiro gasto com revistas então. Eu passei pela falecida revista Genius, Atrevidinha, Capricho, Época entre tantas outras, vi meu lado escritora se fortalecer. Comecei a ler mais e mais livros e quando  dei por mim tinha uma paixão tanto por best sellers, quanto leitura juvenil e também clássicos.

Aí veio a escolha do vestibular, aquela pressão dos amigos (sim, dos amigos) para escolher algo que não fosse jornalismo, já que era um absurdo eu fazer algo que não valia meu diploma. Eu como uma aluna bem regular fui taxada de louca quando disse que eu queria a PUC ou Mackenzie. Afinal, como eu conseguiria sendo tão regular? Bom, eu não sei mas passei com bolsa integral pelo ProUni. E então veio os comentários de que eu era privilegiada e tive que aprender a responder. Responder que eu não tinha dinheiro, que vivia no vermelho para pegar todos os dias o trem e metrô que me levavam pra lá, que pagar qualquer que fosse a faculdade estava fora de cogitação. Tive que enfrentar muitas pessoas que eu acreditava que eram minhas amigas me falando isso.
Fui jogada em um universo onde as pessoas tem dinheiro, onde entrar na PUC era a última opção porque estudaram a vida inteira em particular e deveriam ir para a pública e eu no caminho inverso. Todos ao meu redor já haviam visto os mais diversos filmes cults e eu vendo tudo pela primeira vez na faculdade. Eu não fazia ideia do que era direita e esquerda e descobri na prática, ao trabalhar em uma campanha presidencial para um partido de direita e ir contra as minhas convicções. 


Me (re)descobri feminista. Eu sempre falei frases como "o que eu faço é só da minha conta", "se fosse homem vocês não estariam julgando" e eu não fazia ideia de que eu estava certa. O feminismo me viu num abismo e ao invés de me empurrar segurou minha mão para descer em segurança. Passei a me amar, amar meu corpo, meu cérebro e até meus defeitos. Tive que aprender a perder a vergonha de falar que eu amo moda e política, conseguir explicar uma coisa dessas fazia o cérebro das pessoas entrar em tilti permanente.

Foram 4 anos difíceis, foi falar de moda inclusiva no blog para uma matéria, criar uma revista de arte feminista, criar sozinha uma revista de moda unissex e depois mexer em php para criar um site informativo sobre moda para cadeirantes. Foi através das palavras que eu guiei meu caminho, que mostrei que a moda é mais que futilidade e que faz parte do seu próprio eu.

Queria ter me jogado mais na faculdade, participado de várias coisas mas por acordar muitas vezes as 5h para ir para aula tudo se tornava impossível. Não tive dinheiro pra mudar pra perto da faculdade nem para sair da casa dos meus pais, mas eu aprendi muita coisa. Aprendi a ser mais humana, a lidar com gente que compra o mundo com dinheiro e que eu não precisava de dinheiro pra ter a melhor educação possível.

Foram noites dormindo mal, dormindo 3h, 2h por noite... Ninguém disse que era fácil, mas confesso que foi mais difícil do que pensei. Se eu pudesse voltava o tempo e faria tudo igual, porque sei que se eu tivesse feito tudo eu não teria sido nada. Acabou. Formei.

20 fevereiro 2017

*Esse texto é um desabafo pessoal, leia com atenção ou dirija-se ao próximo post*


Desde sempre sou conhecida pela minha família como A bela adormecida, mas de uns tempos para cá muita coisa mudou. Eu, que sempre fui uma pessoa diurna, me vi dormindo pouco à noite e invertendo as necessidades. Não sei ao certo o que houve, foi algo repentino que não esperava.

Meu corpo nem sempre queria se levantar, uma sensação de que tudo podia dar certo tomava conta de mim, mas meu corpo se retraía e eu voltava a dormir após as 10h da manhã. Durante a noite eu tentava dormir de todas as maneiras, mas meu corpo se agitava e várias ideias de coisas para fazer passavam pela minha cabeça.

Há sim uma explicação astrológica para isso, mas tudo começou antes da posição de plutão ter mudado. Fui diagnosticada com depressão e crise de ansiedade e tudo fez sentido. Eu estava triste, mas meu corpo me fazia andar, me mover e criar mesmo na minha pior maneira de ser. As pessoas me falavam que eu estava triste, mas eu achava que era apenas algo passageiro e demorei a perceber que não era exatamente o que eu pensava até que parei de desejar coisas que antes eu amava.

A ideia de bela adormecida foi ficando cada vez mais distante, foram necessários remédios, meditações guiadas e tentativas de Yoga para que eu pudesse me reerguer. Não vou mentir e falar que estou bem, todos os dias pela manhã meu corpo se retrai e praticamente me pergunta se eu realmente quero me levantar e não é uma briga com ele. É com minha mente, parte do meu cérebro que se recusa a fazer coisas simples como levantar da cama. O sono passou a fazer parte de mim, porém mais agitado e com mais aberturas de olhos durante a madrugada.

Durmo bem quando não me sinto sozinha, quando estou com alguém como meu namorado na maior parte do tempo. Não é vergonha admitir que nosso cérebro tem falhas, que nosso corpo não se comporta como deveria. É vergonhoso os amigos não perceberem o quão sério é isso.

11 novembro 2016




Você é tóxica. Sua competição feminina era insuportável. Eu te mostrava as coisas, contava as novidades e você não ligava. Depois aparecia contando como se fosse novidade e ninguém tivesse te falado. Você me dava patada e culpava sua TPM, seu livro triste pelo seu mau humor. Mas na verdade tudo era motivo para me tratar mal.
Você não acredita na importância dos meus estudos ou quão longe eu conseguiria ir. Sua cara era sempre de deboche. Mas eu achava que você era minha amiga. Saía correndo quando você ligava precisando de algo, coisa que você jamais iria fazer (ou fez) por mim. Você quer ser o centro das atenções, receber elogios e não suporta outra pessoa que seja tão inteligente quanto você (qualquer uma do sexo feminino na verdade).
Aquele dia em que você saiu de fininho de uma conversa, ignorando as falas e com um olhar claro de "não te quero falando comigo" me lembrou de quando você falava "vai na frente, to conversando com fulano" (normalmente nenhum segredo, só não queria que eu me tornasse amiga da pessoa). Me lembrou de quando você disse ser uma pessoa invejosa e de quando me contaram que você acha que eu tenho inveja de você (até hoje tento analisar porque eu teria isso).
Apesar de todas as reclamações eu segui minha vida e quando olhei pra mim e disse "não vou me importar mais" ao perceber que todos os nossos momentos bons eram rodeados por uma nuvem tóxica, eu parei de procurar saber sobre você, de pensar em você ou de me perguntar porque você havia se afastado. A verdade é que você nunca esteve presente. Desejo que você continue conseguindo tudo que deseja, que não tenha amizades sazonalmente com o sexo feminino e consigo manter uma linha reta e sem curvas perigosas que farão você se afastar da pessoa. Desejo além de tudo que seja feliz e pare de acreditar que nós mulheres fomos feitas para sermos competidoras uma das outras. Pare de ser tóxica com os outros. Pare de ser tóxica com você.

03 novembro 2016

       Não nos conhecemos no jazz. Foi na faculdade mesmo, na minha aula favorita, da minha professora favorita (que se tornou minha segunda mãe). Eu nunca tinha ouvido falar em lírica grega, sequer imaginava que fazer poesia era um costume tão antigo. Me apaixonei perdidamente de imediato. Ela estava lá, no slide, e eu queria chegar mais perto. A professora não conseguiu deixar a projeção maior, mas mandei um e-mail assim que cheguei em casa, pedindo os textos da aula. E li e reli aqueles poemas em fragmentos, em diferentes traduções para diferentes línguas. Não demorou muito para que eu quisesse traduzir também.

A Lua me deixou, também as Plêiades
É meia-noite, as horas se esvaem,
Só, então, adormeço.
(E consegui!)

            Depois disso já passamos por muitas coisas. Safo acompanhou meu crescimento, me viu cair, levantar, quase desistir e depois voltar com toda animação. Ela me ensinou que o tempo cura tudo, nós só precisamos ter paciência. Com ela, percebi que todos os meus esforços valem a pena, todos os dias que passei estudando grego, me dedicando, hoje me ajudam a entendê-la melhor. Queria ter uma Tardis para poder viajar no tempo e conhece-la, poder me comunicar com ela e dizer o quanto sou grata. Grata por me ajudar a crescer e me desenvolver como pesquisadora, por me fazer enxergar o mundo de outra maneira, por me ensinar mais sobre a poesia e sobre o amor.
            Ela me ajudou a conquistar meu namorado e minha autoconfiança, e eu, em troca, vou ajuda-la a estar mais próxima do Brasil, a cantar em português. Meus amigos podem até pensar que isso é bobagem, que Safo é só uma poeta que viveu há séculos na Grécia e que se tornou meu objeto de pesquisa. Mas não, para mim, Safo é muito mais do que isso. Ela é minha porta de entrada para um mundo novo, onde eu amo estar, e onde desejo ficar para sempre.



P. S.: Olá, pessoas! Vocês devem estar estranhando esse texto, mas fui eu mesma que escrevi. Setembro passou voando e um bloqueio criativo me impediu de escolher um livro a tempo. Eu também estava sentindo a necessidade de contar pra alguém como trabalhar com Safo de Lesbos na minha iniciação científica tem me feito bem, então uni o útil ao agradável nessa crônica/declaração de amor. Espero que tenham curtido. Mês que vem trago um livro para vocês. ;)

22 agosto 2016

           Olá, pessoas! Hoje vou falar um pouco de um livro que eu gostei muito e cuja adaptação para o cinema completa 10 anos agora em 2016. O Diabo veste Prada foi lançado em 2001 e ganhou o coração do público, principalmente depois da versão cinematográfica com Meryl Streep e Anne Hathaway. Eu li o livro pela primeira vez depois de já ter assistido ao filme algumas vezes, e essa foi uma experiência que me ajudou bastante a entender como funcionam as adaptações para o cinema. Como boa Potterhead que sou, amante e fã de Harry Potter, já estava acostumada a ver coisas diferentes nas páginas e na telona, mas descobrir as diferenças entre o livro de Lauren e o filme de 2006 deixou a leitura ainda mais interessante. Como minhas resenhas não têm spoilers, quem ficar curioso vai ter que ler (~risada maléfica~).

            O livro, assim como o filme, acompanha um ano na vida de Andrea Sachs, jornalista recém-formada e cheia de sonhos. Andy consegue “o emprego que toda garota gostaria de ter”, como assistente da editora Miranda Priestly, chefona da revista de moda Runway. O problema é que a chefe faz da vida da garota um inferno. Sempre pensando em seu próprio sucesso, Miranda não pensa duas vezes antes de humilhar, intimidar e até demitir um funcionário por causa de uma pequena falha. O emprego causa inúmeros problemas a Andy, que enfrenta aquilo tudo em busca de uma oportunidade maior no concorrido mercado editorial nova-iorquino.
            Sabe aquele chefe, ou até mesmo professor, super abusivo, que acha que só porque é superior a alguém pode fazer todo mundo de gato e sapato? Essa é Miranda. Acredito que todo mundo já teve (ou terá) uma experiência como a de Andy, eu mesma me identifiquei muito com ela. O final do livro é catártico (juro que não é um trocadilho com o nome da coluna) e foi uma grande surpresa para mim, pois não está no filme. Alguns detalhes da trama, naturalmente, são omitidos na hora da adaptação (o que nos decepciona às vezes), mas no caso de O Diabo veste Prada, o final foi bastante modificado. Isso não deixou o filme ruim, apenas diferente do livro. Além, disso, deixou a leitura muito mais gostosa para quem já tinha visto o filme várias vezes, como eu. Talvez esse final inviabilize uma adaptação do segundo livro, A vingança veste Prada, que se passa dez anos depois do primeiro, pois algumas coisas não fariam muito sentido e precisariam ser muito bem explicadas.


            Por que assistir? O Diabo veste Prada (filme) conta com Meryl Streep no papel de Miranda (na minha opinião, qualquer filme com Meryl Streep no elenco já merece ser assistido apenas por ter Meryl Streep no elenco) e Anne Hathaway como Andy (a nossa Gisele Bündchen faz uma pontinha no filme também). A atuação do elenco é ótima, o filme é leve e bem humorado, perfeito para uma tarde de domingo ou de férias, a trilha sonora é nostálgica (em 2006 ela era super moderna) e os figurinos são incríveis. 

Meryl vai te fazer amar a odiosa Miranda!

            Por que ler? Para quem já viu o filme, é uma oportunidade de revisitar a história com maiores detalhes e com um final um pouco diferente do que estava acostumada. Para quem não viu, é uma boa leitura de entretenimento, que vai te fazer sentir raiva e admiração ao mesmo tempo pela chefe tirana de Andy. Além de a leitura do primeiro livro ser quase essencial para quem ficou com vontade de ler o segundo, tendo visto o filme ou não. É bom lembrar que livros e filmes são coisas diferentes. Nem tudo que está nas páginas vai bem na telona, e o cinema não admite alguns buracos que a literatura deixa. Por isso é sempre importante assistir a uma adaptação com o coração aberto, procurando curtir a experiência.
            O filme: O Diabo veste Prada (2006), direção de David Frankel
            Quanto? Na faixa de 20 reais
            O livro: Weisberger, L. O Diabo veste Prada. Rio de Janeiro, Record, 2011.

            Quanto? Na faixa de 50 reais

10 agosto 2016



Eu pensei muito sobre escrever esse texto, mas a verdade é que não resisti. Passei muito tempo da minha vida tentando me adequar ao que os outros queriam, tentando me adaptar ao invés de permitir que as pessoas me aceitassem como eu sou.

Entrei na faculdade e fiquei envergonhada de admitir meu gosto por moda afinal "jornalismo de moda não é jornalismo" ou por diversos comentários que só viam o lado ruim da moda. Também passei por momentos difíceis: Dois estágios que apesar das experiências me trouxeram mais e mais problemas de saúde.

Mas o que isso tem a ver com amor próprio? Eu deixei de me amar nesse meio tempo. Tentei gostar de coisas que todos gostavam apenas por não conseguir me encaixar, meus pais chegaram até a perguntar se eu não queria parar a faculdade.

Ano passado começaram os problemas de saúde: Gastrite, pedra no rim, microcistos no ovário, ferida no útero... Tudo isso com fundo emocional. Mas Carla, você tem auto estima né? Sim eu tenho, mas não significa que eu estivesse amando meu corpo. Por conta de todos esses problemas de saúde as piadas de "você tem de tudo", "a Carla procura doença até onde não tem", foram me causando problemas emocionais que me levaram a ter crises de ansiedade (e as piadas sobre eu ter de tudo continuaram).

A verdade é que eu deixei esses comentários me abalarem, eu me descuidei. Voltei a comer de tudo, de não ter horário para refeições e evitar voltar ao médico. E agora eu voltei. E justo agora eu tenho mais problemas de saúde do que tinha antes (mais pra frente eu conto direito sobre isso!!) e estou sendo obrigada a ver essas piadas de novo.

E eu me pergunto se quem faz piada com pessoas doentes que tem tudo de emocional abalado e zoado, tem amor ao próximo? Porque agora eu vejo que não estou procurando doença. Que saber que remédio usar não é ser a maníaca dos medicamentos e sim que passei por coisas e posso ajudar.

Sei que ficou confuso, mas quero por aqui pedir se você faz essas piadas com seus amigos só parem ok? Foi culpa dessas piadas que me levaram a deixar de me amar e parar de cuidar da minha saúde em prol de parar de ser zoada (sim, com 21 anos). Amar você mesmo não tem a ver com aparência, nem com aceitação do corpo... Tem a ver com amar você por inteiro, mesmo com defeitos e doenças. Quando você para de se amar... Bom, vocês viram o que acontece.

Espero não ter deixado ninguém entediado e que vocês tenham me entendido.

17 maio 2016

          Olá, pessoas. Estou aqui mais uma vez! Hoje vou falar de um livro muito especial para mim. Na verdade, vou falar de uma poeta muito especial para mim. Desde meu primeiro semestre no curso de Letras, me apaixonei pela literatura grega antiga. Conheci Safo na aula que minha atual orientadora ministrava no primeiro semestre. Foi o primeiro texto que vi grafado no alfabeto grego e foi amor à primeira vista. Hoje Safo é o tema da minha Iniciação Científica.

Uma representação de Safo na pintura - Autor Desconhecido

            Vou falar um pouquinho dela agora. Safo nasceu por volta de 630 a. C. na cidade de Mitilene, na ilha de Lesbos, ela compunha poemas nos moldes do gênero lírico. É só isso que sabemos de concreto sobre sua vida (eu não disse que falaria um pouquinho? – piadinha ruim). Tudo mais que se fala sobre Safo são suposições, conclusões tiradas a partir da leitura de seus poemas, e isso nem sempre é legal. Alguns poemas de Safo, por exemplo, têm como tema a paixão por mulheres (chamamos os poemas com essa temática de homoeróticos), esses poemas foram lidos por muito tempo como “relatos poéticos” da vida amorosa de Safo, a palavra lésbica foi criada em referência a isso, inclusive. Mas não é bem assim! Não temos como saber se Safo tinha ou não relações com mulheres, até porque os gregos encaravam isso de uma forma bem diferente da nossa. Além disso, Fernando Pessoa já dizia que “o poeta é um fingidor/ finge tão completamente/ que chega a fingir que é dor/ a dor que deveras sente”. Como podemos saber, sem quase nenhuma informação biográfica, se Safo estava mesmo sentindo o que compôs ou se estava apenas “fingindo”, como boa poeta que era? Eu, como estudiosa e apaixonada, acho a dúvida muito mais bonita que a certeza.
            A obra de Safo chegou aos dias de hoje num estado bastante fragmentário. Vários poemas se perderam e, dos poucos que nos restaram, apenas um está completo. Por isso, trabalhar com a poesia de Safo é um grande desafio. Vou indicar aqui a tradução de uma moça muito bacana (ela até autografou o meu livro!), seu nome é Giuliana Ragusa. Ela é professora na área de Estudos Clássicos na USP (Universidade de São Paulo) e especialista em lírica grega. A tradução de Ragusa é muito cuidadosa e preocupada em manter o sentido do poema original. Ela também se isenta de interpretações externas ao texto. Seu livro com traduções de Safo, Hino a Afrodite e outros poemas, está organizado por temas (cada tema tem uma pequena introdução) e traz uma introdução bem mais esclarecedora do que esse resumão que fiz aqui. Para quem quer ter um contato mais próximo da obra de Safo, esse livro é um ótimo começo.

Hino a Afrodite e outros poemas

Por que ler? É empoderador! Como mulher, conhecer Safo me trouxe uma consciência muito maior de que posso fazer o que eu quiser. E é sempre bom prestigiar o trabalho de outras mulheres que se esforçaram tanto para serem o que são. Traduzir poesia grega como Giuliana Ragusa fez não é para qualquer um. Além disso, é muito interessante perceber que, apesar de terem sido compostas há mais de dois mil e quinhentos anos, esses poemas ainda podem nos tocar. Os tempos são outros, mas os sentimentos são os mesmos, e é isso que torna a arte imortal.

O livro: Safo de Lesbos, Hino a Afrodite e outros poemas. Organização e tradução de Giuliana Ragusa. São Paulo: Hedra, 2011.

Quanto? Na faixa de 22 reais.

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