“Inacreditável” mostra o machismo dentro da polícia - Vestindo Ideias “Inacreditável” mostra o machismo dentro da polícia - Vestindo Ideias

14 setembro 2019

“Inacreditável” mostra o machismo dentro da polícia



A minissérie discute sobre a falta de voz de uma vítima de estupro quando interrogada por policiais do sexo masculino

Já pensou falar a verdade mas ninguém acreditar e você ter que falar que é mentira? Isso aconteceu com Marie Adler. A série foi inspirada no livro Falsa acusação: Uma história verdadeira, dos vencedores do Prêmio Pulitzer T. Christian Miller & Ken Armstrong onde se conta a história dessa menina de 18 anos, vítima do machismo de uma academia de polícia.
resenha crítica da minissérie Inacreditável da Netflix
Personagem Marie Adler em cena
Imagem divulgação

A jovem, logo após o estupro, foi interrogada em torno de 5 vezes, mas mesmo assim os policiais não acreditaram nela. E por quê? Porque quem a estuprou não deixou rastros para trás. A verdade, é que o depoimento de uma vítima traumatizada pode apresentar variantes, mas os policiais do sexo masculino que cuidaram do caso parecem não terem se importado com isso.
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Marie Adler sendo interrogada após seu estupro
Imagem: Divulgação

Desacreditada por sua ex-mãe adotiva perante os policiais, Marie retirou a queixa e foi processada pelo município por falsa denúncia.

Anos depois, duas detetives Grace Rasmussen (Tony Collette) e Karen Duvall (Merritt Wever) encontram vítimas com uma similaridade muito grande entre ambas e começam uma investigação. Em paralelo, temos a vida de Marie (Kaitlyn Dever) sendo contada. Desde o segundo episódio percebemos como policiais homens fizeram errado com Marie, já que a forma como as detetives lidam com as vítimas é muito mais sensível e delicado, respeitando o ocorrido.
resenha crítica da série inacreditável
Detetives Grace e Karen
Imagem: Divulgação


Vamos criando uma afeição por Marie e percebendo o quanto uma jovem de 18 anos pode ter sua vida totalmente mudada por algo que poderia ter sido investigado melhor. Além disso, percebemos como o sistema da polícia é frágil em relação aos policiais violentos conforme vamos assistindo aos episódios.

Não é uma série fácil, traz diversos questionamentos em relação ao comportamento da polícia, investigação criminal e também possui alguma referências como mencionar a série de televisão CSI.

Por ser uma série baseada em fatos reais – que é informado logo no primeiro episódio – vai levando o telespectador uma repulsa compulsória em relação aos estupros que acontecem ao longo da série. Mas o que mais chama atenção é a falta de atenção que é dado a esses casos, o que vai contra a Law & Order – Special Victims Unit onde os casos de estupro são investigados a fundo. Apesar de a série se passar nos Estados Unidos e o crime real ter acontecido por lá, podemos facilmente fazer a ligação com o Brasil já que  muitos dados apresentados por lá, podem ser encontrados por aqui. 

A falta de tato de um policial do sexo masculino para lidar com esses casos é algo que pode ser encontrado por  aqui. E basta uma pesquisa rápida no Google para vermos diversos casos onde se é questionado a roupa da vítima, se ela havia consumido bebidas entre diversos outros fatores que não devem ser levados em conta quando há uma agressão. Logo, pode ser comparado ao Brasil.
resenha crítica de Inacreditável série da Netflix
Danielle Macdonald em cena como Amber
Imagem: Divulgação

Quanto as atuações, achei todas impecáveis com personagens muito bem representados. Kaitlyn soube levar uma leveza e ingenuidade a Marie de um jeito único e delicado, exibindo a forma inocente que a garota enxergava o mundo. Mais para frente temos a aparição de Danielle Macdonald, como Amber, onde ela possui um comportamento diferente de Marie e se lembra de tudo em detalhes. Sua atuação foi maravilhosa e a dor que ela expressava pelo olhar chamou minha atenção.

São 8 episódios de 40min aproximadamente cada um. Contém violência e estupro, não é uma série para você assistir com os pais em um domingo para relaxar. É para você pensar, questionar e, principalmente, entender que cada um reage de uma forma diferente aos traumas.
A classificação da série é de 16 anos e recomendo que assistam em um dia calmo e vão dando uma pausa para absorver todas as informações.


Um comentário:

  1. Eu já coloquei a série aqui na lista. Vi um post no Instagram da Marina do blog 2beauty que ela contou um pouco sobre o enredo da série e isso me ganhou demais. To querendo MUITO assistir! Ainda mais depois de ter visto "Olhos que condenam" que também é uma puta minissérie super boa! Netflix só ganha pontos comigo, haha! Essa Inacreditável poderia ter sido mais divulgada porque é super importante, então vou assistir e participar dessa divulgação pra que todos possam ver e entender que o sistema funciona de uma forma diferente para nós, mulheres.
    Beijos!

    www.likeparadise.com.br

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